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Biblioteca de histórias

Vim para casa. Sem ele.

Sobre o dia em que a alta chega — e o berço continua vazio.

Existe um momento em que os papéis da alta são assinados, as malas são arrumadas, e alguém pergunta se você está pronta para ir.

Pronta para quê?

O carro fez o mesmo caminho de ida e volta que você imaginou fazer com ele. Só que agora o bebê-conforto, comprado com tanto cuidado, ficou vazio no banco de trás.

A casa esperava por vocês dois. As fraldas estavam compradas. O berço estava montado. Talvez até o nome dele já estivesse escrito em algum lugar — numa parede, num caderninho, num coração.

Você atravessou a porta de casa, e a casa não sabia o que fazer com você. Os objetos continuavam ali: a mesma cor escolhida com tanto carinho, o mesmo cheiro de roupinha nova. Mas o motivo de tudo aquilo não estava nos seus braços.

A casa esperava por vocês dois. Você atravessou a porta sem ele nos braços — e a casa não sabia o que fazer com você.

Ninguém te preparou para essa volta. Ninguém disse que vir para casa pode ser tão difícil quanto ficar no hospital — porque lá, pelo menos, havia uma equipe, um protocolo, alguém por perto. Em casa, existe só o silêncio e os objetos que esperavam por outra história.

Se você vive isso agora, ou se já viveu há anos: essa volta para casa também faz parte da sua maternidade. Você não precisa fingir que a casa está em ordem só porque os móveis continuam no lugar.

Você é mãe. Mesmo voltando assim.

Se essas palavras encontraram você em um momento importante da sua travessia, você não precisa atravessar sozinha.

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